segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Homem sem visão corre mais de 160 km no deserto utilizando aplicativo para celular como guia

O inglês Simon Wheatcroft perdeu sua visão aos 17 anos, mas isso não o impediu de competir em alguns dos eventos mais extremos do mundo. Ele costuma correr acompanhado de um parceiro para mantê-lo no trajeto e evitar que ele tropece em objetos ou mesmo em outros atletas.

Para conseguir correr sozinho, Wheatcroft se uniu à IBM para desenvolver um aplicativo que servisse como seu guia durante as provas. O programa utiliza o sistema de localização por satélite que hoje praticamente todos temos no celular, o GPS. No entanto, ele também funciona como uma espécie de sensor de carros.

Simon Wheatcroft

Para permitir que a corrida seja feita sem a necessidade de um companheiro, o aplicativo o avisa, por seus fones de ouvido, se ele está dentro do trajeto e se há algum outro corredor próximo dele. Para não sobrecarregar seus ouvidos, ao invés de uma vez, foram colocados sinais sonoros, em formas de bipe. Dependendo do som que ouve, o inglês sabe se precisa ir mais para a direita ou à esquerda, por exemplo.

O primeiro teste foi feito em abril, na Maratona de Boston, uma das mais importantes do mundo. Ele utilizou o aplicativo junto com seu companheiro de corrida, para evitar esbarrar em outros atletas, enquanto o app guiava seu trajeto.

Chegada de uma das etapas da Corrida do Saara deste ano
Em maio, ele se inscreveu na Corrida do Sara, uma ultramaratona de 150 milhas (241 km) que atravessa o deserto da Namíbia, na África, utilizando o aplicativo, mas teve que desistir após a marca de 100 milhas em virtude do calor excessivo. Ainda assim, pode-se considerar uma vitória, pois se correr 160 quilômetros já não é para qualquer um, imagine no deserto e sem enxergar nada a sua frente.

Wheatcroft e a IBM continuam trabalhando no desenvolvimento do aplicativo e planejam incorporar um sistema tátil à sua roupa para permitir receber informações de navegação por sua roupa. Segundo ele, isso poderia ajuda-lo a correr provas na cidade sem atropelar outros corredores.

O inglês pretende tentar completar as 150 milhas da Corrida do Saara no próximo ano, mas mesmo antes disso ele já é um exemplo de superação humana aliada ao que a tecnologia pode trazer de melhor às pessoas com algum tipo de deficiência.

Confira a matéria da Reuters sobre o atleta. 

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