Strava e Universidade de Stanford apresentam estudo sobre o impacto da COVID-19 sobre atletas profissionais

 


Pesquisa feita com americanos mostra efeitos mental, psicológico e financeiro causados pela pandemia na comunidade esportiva

O Strava, a principal plataforma para atletas e a maior comunidade esportiva do mundo, com mais de 70 milhões de atletas, sendo mais de 9 milhões só no Brasil, anunciou nesta terça-feira, 20, o lançamento do estudo O Impacto da COVID-19 em atletas profissionais. A pesquisa foi feita com 131 atletas de alto rendimento nos Estados Unidos e revelou os danos financeiros, pessoais e motivacionais causados pela pandemia do coronavírus na comunidade esportiva. Enquanto o estudo revela mudanças no comportamento incluindo significativas alterações nos horários de treinos, o material também chama atenção para perseverança e resiliência da comunidade esportiva durante um dos períodos mais desafiadores do mundo moderno.

O estudo comprovou impactos significativos na saúde mental dos atletas. De acordo com a pesquisa, 1 em cada 5 esportistas relatou dificuldade em se exercitar relacionada à motivação. Antes das restrições impostas pela COVID-19, 3,9% dos atletas disseram se sentir para baixo mais da metade dos dias da semana. Esse número sobe para 22,5% durante as restrições do coronavírus, o que equivale a um aumento de 5,8 vezes. E quando o foco é o aspecto financeiro dos analisados, 71% dos atletas pesquisados se preocupam em receber uma compensação financeira por suas atividades durante o período de restrições pela COVID-19.

A pesquisa também analisou a rotina de treinos de cada um deles e chegou a conclusão que os hábitos sofreram alterações durante a pandemia: 31% dos atletas aumentaram a duração das sessões de treinos durante o período da pesquisa. Os dados de atividade do Strava indicaram que eles se exercitavam por 92 minutos por dia, em média, antes das restrições da COVID-19, e 103 minutos por dia durante o período de restrições.

Os atletas ainda reportaram que modificaram os treinos em grupo ou com um parceiro devido às restrições da pandemia. Antes da COVID-19, 91,2% dos esportistas treinavam com um parceiro pelo menos uma vez por semana. O mesmo dado cai para 68,9% durante a pandemia. Ainda sobre essas mudanças, a pesquisa mostra que 39,7% dos participantes treinavam em equipe pelo menos uma vez por semana no período pré-pandemia e durante as restrições apenas 11,6% continuaram com essa rotina. O que representa uma queda de 3,4 vezes.

No Brasil, o ciclista profissional Pippo Garnero concorda com as informações reveladas pelo estudo. “Minha rotina como atleta profissional foi afetada pela pandemia, sobretudo em virtude do cancelamento de todas as competições e da incerteza quanto ao calendário esportivo anual. Sem competições, um atleta fica absolutamente sem norte” explica Pippo, que completa: “o ciclo de um atleta de alto rendimento não é muito longo. Um ano sem competições equivale a um ano perdido, pois é na competição que o profissional mostra o resultado de seu trabalho, de todo o seu esforço durante o treinamento. É competindo que se ganha visibilidade e dinheiro para seguir a vida como atleta profissional”. 

“O estudo trouxe a clareza de que a COVID-19 teve amplas implicações na comunidade atlética, particularmente quando se trata de saúde mental”, explica a Dra. Megan Roche, pesquisadora clínica e candidata a doutoranda em epidemiologia na Universidade de Stanford. “A parceria com o Strava nos possibilitou ter um entendimento holístico do que os profissionais estão passando. Combinado com a mudança do cenário esportivo, nós podemos entender melhor os impactos desses efeitos a longo prazo nos atletas e como conseguimos ajudar com possíveis intervenções”, completa.

O autor, professor de Stanford e médico de medicina esportiva, Dr. Michael Fredericson afirma: “As descobertas desse estudo ajudarão a guiar nossa abordagem para maximizar a saúde dos atletas de elite em todo país durante esse período sem precedentes. Embora esteja incrivelmente impressionado com a coragem desses profissionais, agora temos claras evidências do dano que isso está causando em sua saúde mental. O estresse descontrolado pode diminuir a resposta imunológica do corpo, bem como prejudicar a capacidade de recuperação completa dos exercícios intensos. Precisamos fornecer recursos adicionais para ajudar os atletas a enfrentar esses desafios”.


As principais descobertas do estudo incluem: 

·         Atletas profissionais de alto rendimento relataram impactos significativos na saúde mental

  • 1 em cada 5 atletas reportou dificuldade em se exercitar relacionada à motivação, saúde mental e COVID-19

  • Antes das restrições impostas pela COVID-10, 3,9% dos atletas reportaram se sentir para baixo ou depressivos mais de metade dos dias da semana. Esse número sobe para 22,5% durante as restrições do coronavírus, o que equivale a um aumento de 5,8%.

  • Antes das restrições da COVID-19, 4,7% dos atletas disseram se sentir nervoso/ansioso mais da metade dos dias da semana. Esse número sobe para 27,9% durante a pandemia, representando um aumento de 5,9%.

 

  • COVID-19 afetou atletas financeiramente

  • 71% dos atletas pesquisados se preocupam em receber uma compensação financeira por suas atividades durante o período de restrições pela COVID-19

 

  • Os hábitos de atividades dos atletas foram alterados durante a COVID-10

  • 31% dos atletas reportaram aumento da duração das sessões de treinos durante o período da pesquisa

  • Dentre os que aumentaram a duração dos treinos, os dados de atividade do Strava indicaram que eles se exercitavam por 92 minutos por dia, em média, antes das restrições da COVID-19, e 103 minutos por dia durante as restrições da COVID-19

  • 17% dos atletas reportaram crescimento da intensidade das sessões de treinamentos durante o período analisado

 

  • Os atletas ajustaram o treinamento em grupo, seja com um parceiro, equipe ou técnico devido às restrições do COVID-19

    • Antes da COVID-19, 91,2% dos atletas treinavam com um parceiro pelo menos uma vez por semana. O mesmo dado cai para 68,9% durante a pandemia. 

    • 39,7% dos participantes treinavam em equipe pelo menos uma vez por semana no período pré-pandemia e durante as restrições apenas 11,6% continuaram com essa rotina. O que representa uma queda de 3,4%.

O primeiro semestre deste ano foi extremamente disruptivo para o esporte com cancelamentos de eventos mundiais, incluindo o adiamento dos Jogos Olímpicos de 2020 e dezenas de maratonas, incluindo a Maratona de Boston, Maratona de Nova York e Maratona de Chicago. Entretanto, há indícios de que a comunidade esportiva está começando a encontrar soluções para competir com segurança, incluindo a organização bem-sucedida do Tour de France e o crescente interesse em maratonas virtuais. 

Atletas de todos os níveis contam com resiliência e perseverança para atingir seus objetivos e agradeço a franqueza daqueles que participaram e estão mostrando aos colegas que não estão sozinhos em suas adversidades. Mesmo neste ano extraordinariamente desafiador, é claro que a comunidade atlética continua a se esforçar”, afirma Michael Horvath, CEO do Strava. “Estamos orgulhosos com a parceria com Stanford, Dr. Fredericson e Dra. Roche para esta importante experiência pela qual os atletas profissionais do mundo estão passando”.


Metodologia:

Esta pesquisa foi realizada em parceria do Strava com a Universidade de Stanford. Inclui as respostas de 131 atletas profissionais dos Estados Unidos, entre ciclistas, corredores e triatletas do Strava. Os atletas responderam a uma pesquisa de 30 perguntas e 114 atletas deram autorização para que seus dados de atividade fossem analisados. Pré-COVID-19 significa datas entre 1º de janeiro de 2020 e 14 de março de 2020, e durante COVID-19 são as datas entre 15 de março de 2020 e 20 de agosto de 2020. A pesquisa foi realizada de 12 de agosto de 2020 a 25 de agosto de 2020. População de atletas profissionais: 44% corredores, 39% ciclistas, 11% triatletas, 6% outros

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